Este grupo tem como objetivo agregar homens e mulheres terceira idade, promovendo sua autonomia, integração e sociabilidade na sua própria igreja e presbitério, onde eles têm a oportunidade de continuar ativos e terem um convívio mais agradável dentro do meio cristão. Um grupo muito alegre que tem muito a nos ensinar com suas experiências e lições de vida.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Filhos Adultos no Lar (1)

Bagunça Democrática ou Internato Severo?
Por Elizabeth Zekveld Portela (do site www.cronicasdocotidiano.com)

Thiago pegou as chaves do carro e virou-se para abrir a porta da casa. Deparou com uma placa afixada com fita adesiva.
Não tenho maior alegria do que esta, a de ouvir que meus filhos andam na verdade. (3 João 4)
–Mãe, foi Pai que colocou isto aqui?”–Foi. A gente ficou sabendo mais dos problemas de uns amigos antigos. Seu filho mais velho é viciado em drogas. Agora, a filha de 22 avisou que está grávida e disse-lhes que nem sabe de quem é. Seu pai ficou muito impressionado. Comentou como devemos dar graças a Deus pelos filhos que temos. Sentou-se no computador e o resultado está aí.–Então, não é bronca?
–Não, não é. É elogio, louvor, encorajamento, gratidão…–Que bom, mãe. Mas poderíamos entender isto um pouquinho como alerta também, não?–Talvez.Quando o pai retornou naquela noite, havia uma outra placa ao lado da primeira. Quatro figuras estilizadas proclamavam Pai, nós te amamos também!—e debaixo estava a assinatura dos quatro filhos do casal.
Um ano depois, aquelas declarações ainda permanecem no mesmo local—assimiladas inconscientemente por todos que por ali passam diariamente—símbolo da família ideal, do relacionamento pacífico almejado tanto pelos pais quanto por seus filhos.
Um pouco adiante, na parede, há uma foto desta família—dois filhos adultos, dois adolescentes, pai e mãe. As roupas alinhadas e combinadas, a perspectiva simétrica e os sorrisos descontraídos transmitem harmonia e alegria. Parece uma família ajustada e unida. E realmente, há momentos em que os de fora olham para eles com certa inveja e perguntam como foi que eles “conseguiram”. –De joelhos, um dia de cada vez, responde a mãe.
Isabel lembra as lágrimas derramadas, as noites mal dormidas… Recorda desentendimentos, angústias, brigas, acusações, mágoas e as conseqüências de atitudes pecaminosas, algumas duradouras. Mas se regozija porque, aos poucos, eles descobriram e assimilaram princípios bíblicos que facilitaram o relacionamento e fizeram com que houvesse—não a perfeição mas sim—a possibilidade de conciliação, harmonia e satisfação.
Em alguns países, é muito natural os pais cristãos incentivarem seus filhos a criar asas e iniciar vida independente quando chegam ao término da adolescência. Consideram cumprida a sua missão na criação e reassumem a vida a dois com liberdade para gastar seu dinheiro e servir em outras áreas. No Brasil, entretanto, esta não é uma prática freqüente. Encontramos muitos lares em que pais e filhos adultos permanecem juntos por tempo indefinido. Nem sempre o convívio é fácil ou pacífico. Em tantos lares, até dentro da igreja, pais e jovens se sentem como verdadeiros reféns de situações que fugiram do seu controle há muito tempo.
Em alguns casos, a convivência é opção de ambas as partes. Em outros, os pais não permitem que partam. Na maioria das vezes, são os filhos que se acomodam na casa dos pais. Existem filhos que nunca saíram e aqueles que voltaram ao lar paterno depois de servirem no exército, de estudarem fora ou de tentarem a vida a sós por um período. Às vezes, chegam depois de um relacionamento fracassado, com ou sem filhos a tiracolo.
Em cada circunstância, ocorrem problemas bem diferentes. Fora disso, absorvemos, muitas vezes sem querer, os valores do mundo pós-moderno que exalta os direitos individuais às custas das responsabilidades e questiona as normas e os limites tradicionais ou bíblicos. Isso sem falar dos efeitos, nos hábitos familiares, da informática, do culto ao lazer, da globalização e da mídia de comunicação. Num mundo que corre a mil por hora e em que todos são bombardeados com informações desencontradas de toda a parte, muitos acabam confusos e desorientados.
UMA FAMÍLIA FELIZ—SONHO OU REALIDADE?
Quais as normas que devem ser seguidas quando jovens continuam no lar paterno depois de se tornarem adultos? Afinal, não há na Bíblia qualquer orientação dirigida especificamente a esta situação. Será possível alguém olhar para a nossa família e enxergar nela pelo menos um vislumbre da felicidade, intimidade, fraternidade e união familiar que a Bíblia tanto nos incentiva a imitar? (Salmo 133.1; 1 Coríntios 1.3,10; Hebreus 13.1) Sim, é possível aproximar-se deste ideal. Há esperança! Existem sábios princípios, que são bíblicos, que se aplicam e que, se forem seguidos, possibilitarão amenizar e evitar muitos dos problemas que têm surgido entre filhos adultos e seus pais e irmãos quando convivem sob o mesmo teto.
QUEM É QUE MANDA?
A primeira coisa que devemos estabelecer, antes de mais nada, é que a casa é dos pais e que quem deve mandar nela são eles. Foram eles que investiram suas energias, seus recursos e seu tempo no intuito de construir um abrigo confortável e sossegado para se refugiar das agruras do mundo externo. Nenhum filho tem o direito de diminuir ou tirar o bem-estar, tranqüilidade ou alegria paterna ou materna neste local criado por eles.
O lar, portanto, não é uma democracia onde pais e seus filhos crescidos devem ter voz igual, como alguns sugerem. Quando Paulo instrui Timóteo sobre quais os homens aptos a liderar a igreja (a “família de Deus”), ele diz que eles têm que ser pessoas conhecidas por governar bem a sua própria casa e pergunta: Se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus? (Efésios 2.19; 1 Timóteo 3.4,5 e 12) O governar a que Paulo se refere significa administrar, estabelecer regras e limites, exercer autoridade, reger…E já que o homem e a sua esposa são um e ela é a sua ajudadora—este controle é compartilhado pela mãe da família e os dois devem ser “honrados” pelos filhos—que é o primeiro mandamento com promessa (Gênesis 2.20,24; Êxodo 20.12; Efésios 6.2,3).
OS JOVENS DEVEM AGIR COMO “ADULTOS”
Quando chegam à idade em que tenham identidade independente — tendo autonomia legal, podendo votar, trabalhar e dirigir — os jovens se consideram adultos. Mas é difícil, muitas vezes, eles enxergarem as responsabilidades que se escondem por trás dos privilégios. Paulo descreve o seu próprio crescimento, dizendo que falava, sentia e pensava como menino quando era menino. Entretanto, quando ele se tornou homem, ele desistiu das coisas próprias de meninos (1 Coríntios 13.11). Isto significa mudanças radicais no comportamento, dentro do lar também, e tudo no contexto do amor — afinal, 1 Coríntios 13 é o capítulo do amor. A lista de exortações aqui (e em muitos outros lugares), sobre a maneira de ser e o trato com outras pessoas, se aplica a jovens igualmente e eles tem de lembrar que terão que dar contas de si mesmo a Deus (Romanos 14.12).
Em qualquer convívio, tem que haver respeito e cortesia. Pessoas civilizadas se saúdam, se despedem, comunicam seus planos e as mudanças nestes, como também possíveis atrasos, com as pessoas com quem interagem, especialmente se existem vínculos familiares e o andamento da vida destas pode ser afetado. Isto vale para os jovens e também para seus pais, para que não haja ocasião para surpresas ou preocupações desnecessárias ou ocorram desencontros desagradáveis.
OS JOVENS DEVEM SER TRATADOS COMO “ADULTOS”
Vimos que os pais são responsáveis, diante de Deus, pelo andamento e o testemunho da casa — tanto pelas atividades que permitem e promovem quanto pelas que proíbem lá — tudo conforme princípios claramente expressos na Bíblia.
Mas isto não significa, de jeito nenhum, que os pais têm mandato divino para manter controle sobre todos os aspectos da vida dos filhos adultos enquanto eles moram na mesma casa. O alvo paterno deve ser de progredir da fase de regulamentação geral (criança pequena) para o estágio de liberdade condicional (adolescência) até a etapa de independência total de decisão e ação (adulto). Não pretendemos advogar aqui a tendência dos pais de outros países de desalojar os filhos. Mas eles devem procurar se relacionar com seus filhos, desde a sua adolescência, com o amadurecimento e eventual emancipação em mente, preparando-os de tal modo que a sua partida para o mundo fora do lar nem seja excessivamente traumática nem por demais libertadora.
É preciso deixar os filhos adultos tomarem suas próprias decisões e deixá-los arcarem com as conseqüências ou resultados. À primeira vista, isto pode parecer contraditório ao princípio de que os pais devem mandar no seu lar. Mas não é, especialmente quando se trata do filho ou da filha que já se sustenta. O processo de criação terminou. A fase de disciplinar acabou. Fica muito feio um filho crescido ser dominado por seus pais. Ele não poderá agir como adulto, e muito menos se tornar um líder, se for sempre tratado como criança.
Pais, é bom reavaliar a situação nos nossos lares à luz de Efésios 6.4, Pais, não provoqueis vossos filhos à ira. Como nosso filho (ou nossa filha) descreveria o seu relacionamento conosco? Sente-se sufocado? Manipulado? Fiscalizado? Vigiado? Controlado? Por demais protegido? Respeitamos o seu gosto e a sua individualidade ou ficamos insistindo que bons filhos devem ser clones dos seus pais? Damos palpites em tudo, ainda quando eles não pedem? Ficamos ressentidos e transmitimos as nossas mágoas toda vez que ele ou ela toma uma decisão ou faz algo com que descordamos? Conseguimos engolir as palavras “Eu não lhe disse…?” ou “Se tivesse me perguntado…” Ficamos plantados, emburrados, na sala até que todos cheguem em casa, não importa a hora? Estamos afirmando, encorajando e elogiando mais de que censurando, admoestando e criticando?…